quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Eu ou Ele?



Buscava incansavelmente em antigos escritos a forma de dizer algo de novo. Percebia, tão somente quando via a frustração agigantar-se perante os olhos próprios da ingênua vontade de reutilizar palavras passadas, que nenhum velho poema dizia sobre agora, nem deixava de dizê-lo. Pensava no que fazer, pesavam as pálpebras, mas que decisão tomar?

Descobrira recentemente que, no tempo indicativo, para ser um ou ser outro o pretérito poderia ser imperfeito ou mais-que-perfeito, tanto fazia. Soubesse ali que qualquer distinção entre primeiros e terceiros só no que pudesse se dizer perfeito, teria tentado dizer de outra forma, mais casual. (A confusão era real também no subjuntivo)

A conclusão é que se algo pode ser descoberto no antigo é que de novo estar confundido entre aqui e acolá não determina quem é o sujeito de qualquer frase: Eu ou Ele?

“Desista”, disse a palavra. Do que? Do que se desiste? “Até as conjugações perfeitas acabam não dizendo muito”, observou a palavra. Mas se são perfeitas, por que falham?

“Por que falam”, disse por fim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário