Buscava incansavelmente em
antigos escritos a forma de dizer algo de novo. Percebia, tão somente quando
via a frustração agigantar-se perante os olhos próprios da ingênua vontade de
reutilizar palavras passadas, que nenhum velho poema dizia sobre agora, nem
deixava de dizê-lo. Pensava no que fazer, pesavam as pálpebras, mas que decisão
tomar?
Descobrira recentemente que, no
tempo indicativo, para ser um ou ser outro o pretérito poderia ser imperfeito
ou mais-que-perfeito, tanto fazia. Soubesse ali que qualquer distinção entre
primeiros e terceiros só no que pudesse se dizer perfeito, teria tentado dizer
de outra forma, mais casual. (A confusão era real também no subjuntivo)
A conclusão é que se algo pode
ser descoberto no antigo é que de novo estar confundido entre aqui e acolá não
determina quem é o sujeito de qualquer frase: Eu ou Ele?
“Desista”, disse a palavra. Do
que? Do que se desiste? “Até as conjugações perfeitas acabam não dizendo
muito”, observou a palavra. Mas se são perfeitas, por que falham?
“Por que falam”, disse por fim.
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