sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Ligação.

Fizeram uma espécie de varal com um barbante. No lugar das roupas haviam folhas de papel com mensagens variadas. Algumas se podia ler do banco que ficava a uns 7 metros de distância. Para outras seria preciso se aproximar. As folhas balançavam suavemente em resposta ao carinho que a brisa lhes fazia.

Sentado, ali, a brisa levava o cheiro da cidade e do vazio da universidade até mim. Seu leve roçar tranquilizava minha pele e refrescava os meus sentidos. Era um dia bonito, leve. Acendi um cigarro e ascendi a um ponto onde pouca coisa realmente importa.

Observei um homem se aproximar das folhas esvoaçantes para ler suas mensagens. Soube, pelo seu olhar, que ele não queria ler as palavras que ali estavam. Lia por que ele devia. Devia encontrar algo concreto no vazio abstrato da sua espera.

Com muita certeza afirmo: ele esperava por algo. Com a mesma certeza, duvido. Quem era eu para dizer algo? O homem era um desconhecido. Mas será que não vi seus olhos brilharem por um segundo fugaz, refletindo minha própria inquietude?

A verdade é que eu, ali, esperava. Esperava por algo ou alguém que me tirasse do silêncio.

O mais engraçado é que naquele momento eu recebi uma ligação. Então eu falei. Mas ainda assim, ali, permaneceu 
o
silêncio.

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