Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de março de 2014

Ao Infinito na fila do Pão



Ainda hoje
       vivo aquele
ontem.
                                                      s.
estou no exato                              u
instante                                      é
                 em que ascendi aos c

foi seu beijo
                   e
                      seu sorriso
                                      e
                                        o morno sol 
                                                            e
                                                                 a brisa leve 
que despedaçaram
o
tempo
                                                       e
                                                           declararam lei amar
                                                                                          se
                                                                                                ao

                           nosso

d           e           s           e          j          o



quarta-feira, 19 de março de 2014

Açougue

Depois da morte vem o
açougue

A faca corta as
folhas secas
da minha carne
em túmulo

a Relva se mistura
com o escalpo
e os pedaços
se constroem no
lixo

minhas mãos cheiram
a Morte

o banho das suas doces palavras
me levam correnteza
a baixo,
à uma terra
que nunca foi de ninguém

minhas unhas crescem de
fora pra dentro,
as entranhas a céu aberto
são a minha contribuição
histórica
ao mundo que me abandonou,
antes mesmo que meu
corpo esfriasse


quinta-feira, 13 de março de 2014

Depois da chuva

O cheiro pungente
da pobreza.
O saco de lixo.
O chorume abafado
pelo calor (des)humano
do Ônibus.

A colônia de
ostentação.
O sangue azul
de corante.
Nobreza irreal.

O sexo imaginado.
A ausência sentida.
A angústia morre
no mar de palavras.

O mesmo lugar
mas agora estou
só.
Um dia você vai voltar.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Sujo

As gotas de chuva vieram dar seu parecer sobre o assunto.
Fui obrigado a concordar, 
afinal elas tem um smooth talk
que é difícil de resistir. 

Penso se a terra sente 
as gotas da chuva como
minha pele sente 
as gotas do chuveiro. 
Talvez seja tolice 
pensar que o chão precise de um banho assim como eu. 
Ele não é tão sujo.
O que está encardido é
a alma.

O fundo dos meus olhos é preto, no espelho.
Onde está o brilho?
Atrás da barba,
atrás do cabelo,
atrás da covardia.

é puro desespero.
é desassossego.
é tudo que me falta:

amar o medo.

Sem hora

Foi como uma bomba.
Uh.
A blitzkrieg mandou lembranças,
devastadora foi sua passagem.

A tesoura rasga minha carne.
audacioso digo:
não demora.
não demora.
não tem hora,
chove agora,
vem e chora.
ora, ora,
ora, bolas.

te peguei no pulo do gato.
mas segredo:
prefiro os ratos.
a escória.
tão boba nossa história.
que glória!

e a chuva?
a chuva demora
me olha

me molha
agora.
senhora,
me devora?

sem hora.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O Natimorto

Para meu irmão

o corredor de chão
marrom, gasto
mas limpo.

o banco do hospital de frente
à uma porta dupla,
com um pequeno espaço para se observar
o corredor
adentro.

Meu Pai com olhar preocupado,
barba por fazer,
já havia ali o fio branco?

a notícia do nascimento da
morte.
a visita ao quarto,
os panos brancos
a mãe branca,
morta também
apenas em seu olhar.

o berço de plástico com a figura,
pálida,
em eterno silêncio.

o choro inaudível misturado com os sons
da madrugada,
da noite calada,
das estrelas frias e indiferentes.

esta é a minha forma de estar do
seu lado.
a cada dia,
a cada minuto,
desde que você nunca veio.
você nunca mais se
foi.

lembra das lágrimas que eu dediquei à você?
hoje não choro mais,
só atingem lugar aqueles
enormes vazios que se encontram no peito,
no âmago de um seio
que nunca deu de mamar,
não daquela vez,
não para aquela criança.

o filho que escolheu se libertar cedo demais,
o irmão natimorto,
as memórias falsas,
o ríspido
aborto.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Ela limpou o armário antes de sair de casa

"Eu vou embora"
"Ah é?"
"E eu vou com as suas
meias"

Ela limpou o armário
antes de sair de casa.
Levou as
meias.

Me deixou aqui,
inteiramente sozinho,
no infinito
na sorte.

As luzes da cidade.
Reflexo.
O vidro embaçado de um carro que
não se move.
Esvaziado de mim.

Ela limpou o armário
antes de sair de casa.
Levou minhas
meias
e nada mais.

sábado, 25 de janeiro de 2014

O2

Olha lá!
é o desfile dos detalhes
passando.

Serei eu
um sopro ridículo
a estar lhes
olhando?

por que não me olham de volta?
serei eu um entalhe?
uma marca amorfa de
solda?
um coelho que nunca saiu da cartola?

repare.
o desfile passou.
e foi onde tanto pensei
que tudo acabou.

deus
oh, deus

e quando foi que tudo
começou?






O chamado da mancha.

A barra pisca.
Esperando minhas palavras.
É o incômodo dizer:
vamos lá. escreva. sinta.

Olho para a barra piscando,
a folha em branco já está manchada.
meus olhos já estão manchados.
minha vida já está manchada.

escreva isso em prosa.
escreva isso em poesia.
foda-se.
enfia sua norma no cu.

o oceano não é limpo.
o ar não é limpo.
o céu tem nuvens.
no chão há bitucas
de cigarro.

no meio tempo,
a gente ama.

e a barra chama.



quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

(Platão)

quem imagina as coisas
é Platão
esse lance
de tirar o pé do chão

ainda bem que isso
não é comigo não
mas por favor alguém avise
o danado do meu coração

sábado, 18 de janeiro de 2014

Angústia afins do Tempo


I

Angústia.
Atento.
Há tempos...


II

Ora, quem diria
o tempo ainda
é curto.

A pressa de viver
é o desejo de deixar
em luto.

III

Pedi uma porção de
angústia:
Dupla, pra viagem.

Pra esperar o
ponto,
bebi uma dose
de estiagem.

Entrava eu
na mais tenra
das idades
quando a angústia ficou pronta
e o tempo

era só miragem...





sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Quero que me hobbes deste tédio.

Talvez aquele carinha
estivesse quase certo
"O homem é o lobo
do homem"

Afinal, de tantos
socos da natureza
o que mais dói é
o beijo que some.

É, esse cara bem que
estava meio errado.
"O homem é o lobo
do homem"...

Já que de lindas
manhãs ensolaradas
não há melhor coisa
que acordar do seu lado.

Seu sorriso que é o meu estado,
acho que vou levi(a)tando até
te ver.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Contém 1 grama


mal vestido
maltrapilho
no mesmo ponto
em que sempre estive
despido.

o ponto onde
escorreu
sangrou
e quase se vomitou
pela primeira vez.

ali haviam
memórias
o chão e a
grama.

tirei meus chinelos.
dei o passo.
novas lágrimas caíram,
por que sem.
por que sim

é a melhor sensação do mundo pisar na 
grama.
na sua grama.
na nossa grama.

na verde grama,
onde se apoiaram
toneladas,
aves e
incêndios.

ela me contou
que estava com saudades
dos seus pés.

tentei acalmá-la,
mas ainda assim ela
chorou.

informou-me:

"pegaria carona no
efeito borboleta.
chegaria lá de
furacão,
me parece descabido,
mas é a medida
da paixão"

deixei que ela fosse.
a distância estava lá,
maior a cada momento,
diminuindo com o tempo.
enquanto, aqui,
bom...

aqui há vento.



terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O sufrágio do tempo

O sufrágio do tempo
não aceita plebiscito
me parece muito injusto
que ele decida por tudo
se tornar meio lento.

Enquanto aguento
                                        (ó céus, aguento?)
devo perguntar:
Há tempo?
Ainda há tempo?

É claro.
É lento.
Mas enfim, por ti,

aguento.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Cobogós

Para meu avô.
É isso que me resta?
Onde está o seu bigode?
Te vi nalgumas fotos
Te vi nas rugas da minha
                                  [avó]
Vi sua antiga faca,
te vi nas lacunas dos
                                  [cobogós]

É isso que me infesta,
isso me explode:
as fotos
as rugas
a faca
e o vazio dos
                                  [cobogós]

É isso que me resta,
o seu, agora meu, bigode.
E os mortos
as fugas
e a marca de limo nos
                                  [cobogós]

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A partir da

tresloucado
deslocado
transubstanciado

amado
soldado
saudades

maldade
que venha a idade.

Descontento

Será que essa coisa de
com e sem
com/sem
algum dia entra em
consenso?

com, sem, sou?

é consenso: não sei quem sou
não sou quem
sei.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Intenções

Tropeçarei em
passos
pretéritos.

O fumante quer
contatar os céus
via fumaça.

O bêbado tenta ler
o futuro nas
manchas de vômito.

O poeta pensa deixar
o seu vazio
entre os versos.

Tropecei em
avessos
futuros.