domingo, 15 de dezembro de 2013

Jaz(z)

Qual é a cor do seu pelo?
Qual é a dor que sua pele
sente?

tento por vezes
te enxergar,
te sentir,
te beijar,
mas me deparo sempre com o
vazio.
Vazio.
Vazio.
Meu vadio, meu jazido,
minha cova.

Meu túmulo diz:
"aqui jaz".
E em tumulto, a polvorosa
gente,
indigna
indignada
pergunta:
por quem ele viveu?

por cores?
por vermelhos e amarelos?
por branco. por verde-azul
                         castanho?

estranho.

Aqui jaz,
jaz o silêncio,
jaz a obscuridade de ninguém que fica.
jaz o ex-espaço que um dia foi ocupado
por coisa alguma.

De onde surgem os sorrisos?
Quem quer ver meus dentes?
Cavalo dado não se olha,
amargo.
amar,
go.

Aqui jaz o jazz.
E se Bb. King morrer? Quem vai cuidar do blues?
E se um dia Bukowski morrer? Quem vai falar das ruas?
E se Napoleão falecer? Quem vai salvar a França?
E se um dia você se for? O que jazerá de mim?

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