Quem teme
treme?
Amarela
Amarela
Amar ela
Amarelo
amar o elo que existe
entre
nós-dois
nos dois
nos dedos,
os nós dos dedos
os nós do medo.
Quem treme
teme?
Três
Quatro
Cinco
Seis...
Qual o número da vez?
Zero,
Um, dois ou
Três?
Eis
Eis: certeza!
Eis: dúvida!
Eis intensa
Existência.
Amar ela
Amarela
Ao mar,
ela.
No mais,
ela.
No mas,
ela.
Sim,
ela,
singela
Sem
ela
Com ela.
Cadê ela?
[cadela]
Sim, gela
até a ex-
pinha,
essa vida tão
zinha,
só zinha.
sozinha.
Só sina
De baixo a
cima.
rima,
rima.
Angústia,
menina
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Deszelo das calotas polares
Quem zela,
com tanto
zelo,
aquilo que nos é mais
importante?
O zelador
zela a dor,
zela dois; zela nós dois
zelador?
E tudo aquilo que é
zelado
uma hora derrete.
Zela,
zelador.
(Con)zela,
(con)zelador.
Com ela,
com ela é dor.
com tanto
zelo,
aquilo que nos é mais
importante?
O zelador
zela a dor,
zela dois; zela nós dois
zelador?
E tudo aquilo que é
zelado
uma hora derrete.
Zela,
zelador.
(Con)zela,
(con)zelador.
Com ela,
com ela é dor.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Confissão em Em
Eu não sou um poeta.
Esta não é uma poesia.
É tudo fachada e
Eu sou uma grande mentira.
E essa é a minha pequena verdade.
Essa é minha triste alegria.
Esta não é uma poesia.
É tudo fachada e
Eu sou uma grande mentira.
E essa é a minha pequena verdade.
Essa é minha triste alegria.
domingo, 24 de novembro de 2013
Literário
Ela me disse, mesmo que não fosse
para mim
que ela estava dizendo:
"Você precisa começar a
correr
pra sair do
Literário."
Eu literalmente não soube o que
responder.
Então não respondi.
Corri para o Literário e perguntei:
"O que eu posso fazer
para fugir
de você?"
Então, como não obtive resposta:
literei.
para mim
que ela estava dizendo:
"Você precisa começar a
correr
pra sair do
Literário."
Eu literalmente não soube o que
responder.
Então não respondi.
Corri para o Literário e perguntei:
"O que eu posso fazer
para fugir
de você?"
Então, como não obtive resposta:
literei.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Ligação.
Fizeram uma espécie de varal com um barbante. No lugar das roupas haviam folhas de papel com mensagens variadas. Algumas se podia ler do banco que ficava a uns 7 metros de distância. Para outras seria preciso se aproximar. As folhas balançavam suavemente em resposta ao carinho que a brisa lhes fazia.
Sentado, ali, a brisa levava o cheiro da cidade e do vazio da universidade até mim. Seu leve roçar tranquilizava minha pele e refrescava os meus sentidos. Era um dia bonito, leve. Acendi um cigarro e ascendi a um ponto onde pouca coisa realmente importa.
Observei um homem se aproximar das folhas esvoaçantes para ler suas mensagens. Soube, pelo seu olhar, que ele não queria ler as palavras que ali estavam. Lia por que ele devia. Devia encontrar algo concreto no vazio abstrato da sua espera.
Com muita certeza afirmo: ele esperava por algo. Com a mesma certeza, duvido. Quem era eu para dizer algo? O homem era um desconhecido. Mas será que não vi seus olhos brilharem por um segundo fugaz, refletindo minha própria inquietude?
A verdade é que eu, ali, esperava. Esperava por algo ou alguém que me tirasse do silêncio.
O mais engraçado é que naquele momento eu recebi uma ligação. Então eu falei. Mas ainda assim, ali, permaneceu
o
silêncio.
domingo, 17 de novembro de 2013
O corpo
A sacola de plástico me diz assim:
"Hey, I'm green!"
Mas o corpo nunca mente.
Seu corpo era transparente.
"Hey, I'm green!"
Mas o corpo nunca mente.
Seu corpo era transparente.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Und land nur die lacherlich eisamkeit
Quando eu era uma criança,
eu tinha medo do seu toque.
Achei que talvez fosse o único toque que eu
teria, ao longo da minha vida.
Esse foi nosso primeiro encontro.
O tempo passou junto com os
passos que eu pude dar.
Um dia senti outro toque que não o seu,
um toque que eu queria ao longo da minha vida.
Mas esse não foi nosso desencontro.
Depois desse, outros toques vieram.
Outros sentidos vieram,
mas você sempre arranjou um jeito de se fazer
presente, ao longo da minha vida.
Talvez precisássemos de um encontro.
O pior é que nem sabia seu nome,
nunca quis sabê-lo.
Mas foi um dia de frente a um espelho velho que
pude saber quem restaria ao longo da minha vida.
E encontrei-a ridícula, Solidão.
Por que jazias ali, no fundo dos meus olhos?
Então o seu toque é o meu próprio abraço?
Ninguém me separou de você até hoje e sei que não se
importa que eu tenha outras mulheres ao longo da minha vida,
Solidão. Posso ter te encontrado ridícula,
mas não a encontrei
em vão.
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