terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Quase

Te dei a minha
opinião vazia,
quase neutra
sobre aquele
quase assunto
cheio de
desimportância.

você não gostou
do que eu disse
quis que eu sumisse
e eu sumiu.

Eu morriu,
você viu?
o pau me comeu
por um quase
assunto,
que ninguém leu.
e esse quase
astuto,
me meteu
nesse meio
quase
absoluto.

quase achei que
era verdade,
quando percebi que
já era tarde
e estava na hora de levar minhas
saudades pra um passeio.

Até o tempo precisa de
recreio.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Maldita Bendita

Para .
e nós que ficamos pela metade
acabamos caindo por
inteiro

vá, sangre a (la) vontade
viramos cor
e cheiro.

embaixo dos pés, do limoeiro,
avistamos a grade,
amor.

dessa grade, o atoleiro,
em fraca luminosidade
ar e dor.

não me importo se há dor.
risco, em ti, eu beiro,
é tarde.

sinto o medo em seu sabor
e um traço de ter, ligeiro,
a felicidade.






sábado, 21 de dezembro de 2013

Escolha a dedo

Havia ali então
uma mesa.
Nos separava?

Nossos dedos iam e viam,
brincavam,
corriam,
pude ver o meu sorriso na
ponta do seu indicador.

"I want you, show me the way" e
você me indicava este maldito
sorriso.

Depois olhei para seus outros dedos.
Havia meu cabelo no dedo médio,
meus olhos no anelar
e juro que vi meu coração no seu
mindinho.

Já sabia,
mas ali percebi:
estou em suas mãos.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Ordem, eu regresso.

Para B.
"Estou pensando naqueles que não conseguem falar."
"O que eles fazem?"
"Eles choram."
Silêncio.
"E o que nós fazemos?"

Antes mesmo de ver a primeira lágrima
rasgar
trucidar
seu rosto,
eu já soube:
o silêncio sempre foi.

E que palavra maluca é essa.
A palavra salgada,
a voz do corpo,
descendo o rosto.
Pingando.
Transbordando.

queimando.

(a)mando.
               [de quem?]

Jaz(z)

Qual é a cor do seu pelo?
Qual é a dor que sua pele
sente?

tento por vezes
te enxergar,
te sentir,
te beijar,
mas me deparo sempre com o
vazio.
Vazio.
Vazio.
Meu vadio, meu jazido,
minha cova.

Meu túmulo diz:
"aqui jaz".
E em tumulto, a polvorosa
gente,
indigna
indignada
pergunta:
por quem ele viveu?

por cores?
por vermelhos e amarelos?
por branco. por verde-azul
                         castanho?

estranho.

Aqui jaz,
jaz o silêncio,
jaz a obscuridade de ninguém que fica.
jaz o ex-espaço que um dia foi ocupado
por coisa alguma.

De onde surgem os sorrisos?
Quem quer ver meus dentes?
Cavalo dado não se olha,
amargo.
amar,
go.

Aqui jaz o jazz.
E se Bb. King morrer? Quem vai cuidar do blues?
E se um dia Bukowski morrer? Quem vai falar das ruas?
E se Napoleão falecer? Quem vai salvar a França?
E se um dia você se for? O que jazerá de mim?

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Minas

Minas.
Minas de ouro.
Minas de carvão.
Minas gerais,
minas legais,
minas letais.

Minas.
Minas de couro,
minas a mais
minas demais
minas, rapaz.
Minas.
Rapaz.

Em minas sim, em mim nasci.

Fome

Estou pensando na vida,
pensando em comida.

Não se come com a língua,
se come com a
boca.

Enquanto uma sente,
A outra mastiga,
destrói.

E quando você me
instiga,
me alimente.